Vim contar o que aprendi ao escrever o artigo anterior, durante minha primeira
crise não verbal consciente.
Por causa da instabilidade da minha mente Autista, criei algumas estratégias
para não ficar sem conteúdo no blog. Aproveito os momentos que estou bem e
anoto muitos textos e frases que surgem na mente. Tenho ideias até de mais,
então escrevo todas que puder. Nos momentos mais aleatórios, eu paro e anoto
algo no celular, no notebook, ou onde der. Tem que ser antes de esquecer, pois
o pensamento logo viaja. O triste, é que as vezes acabo com vários artigos
perdidos, em pedacinhos abandonados pelo tempo.
Hora sou tagarela demais
(super frenética mesmo, ligada no 220 volts), mentalmente e
verbalmente, e tem hora que a bateria acaba. Descobri depois de anos, que isso
é uma coisa comum do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Também é
comum no Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Eu tenho
os dois, então imagina... Dizem ser por causa de sobrecarga sensorial, ou
emocional. Aí vem esse mutismo seletivo. Eu até consigo me comunicar, mas sei
que vai ser cansativo e acabo travando antes.
Quando me vi no começo dessa crise não verbal, sem ainda entender o que era,
eu me cobrei ação. Como a gente sempre se culpa quando está mal, não quis
desistir de escrever. Pensei que escrever algo motivacional, poderia ajudar a
mim mesma durante essa fase, mas não foi bem assim.
Na tentativa de me sentir útil, peguei minhas anotações e comecei a editar o
artigo. Em vários momentos, meu cérebro se recusou a trabalhar. Ao perceber
aquela dificuldade estranha, a Centelha me intuiu que eu estava em crise não
verbal. Senti que mostrar essa parte humana também era importante e útil.
Depois de me respeitar, o cérebro voltou a colaborar.